Natalia Gómez - AE
A produção de minério da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que detém as minas de Casa de Pedra e Namisa, deve garantir à siderúrgica um desempenho superior no mercado acionário em relação às suas concorrentes Usiminas e Gerdau nos próximos meses. Além de garantir um custo de produção menor e uma margem mais elevada, a operação integrada da CSN também gera no mercado uma expectativa de que os ativos de ferro da empresa sejam beneficiados pela eventual retomada do movimento de fusões e aquisições no setor.No ano passado, a venda da fatia de 40% da Namisa para um consórcio de empresas japonesas foi uma estratégia do presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, para valorizar os outros ativos de ferro da empresa. O passo seguinte seria a esperada abertura de capital da Casa de Pedra ou a venda de uma participação minoritária no ativo, conforme havia sido anunciado pela CSN diversas vezes.
Contam a favor ainda as perspectivas mais favoráveis para o minério de ferro em 2010 do que para o aço. Segundo analistas, o mercado espera uma alta de pelo menos 20% no preço do minério no ano que vem. Enquanto o setor de mineração conta com três principais produtores - Vale, BHP Billiton e Rio Tinto - que dominam 70% do comércio marítimo do minério de ferro, a siderurgia conta com uma base de produção bem mais pulverizada, o que aumenta o risco de excesso de oferta. Para a siderurgia, também pesa negativamente o aumento do preço do minério e do carvão esperado para 2010, o que elevará os custos de produção.
Nesta quinta-feira, a CSN anunciou lucro líquido de R$ 1,150 bilhão no terceiro trimestre de 2009, em alta de 2.775% ante os R$ 40 milhões verificados em igual período de 2008. Recentemente, o Goldman Sachs, o Barclays Capital e o Merrill Lynch elevaram suas recomendações para CSN com base nas perspectivas para 2010. O Goldman elevou a recomendação da CSN, de neutra para compra, indicando a empresa como nova top pick na América Latina. Atualmente, o negócio de minério de ferro representa 28% do Ebitda da companhia. Os ativos de mineração da CSN foram avaliados pelo banco entre US$ 12 bilhões e US$ 18 bilhões.
O Merrill Lynch elevou o preço-alvo da CSN de R$ 62 para R$ 71 por ação devido às boas previsões para o minério de ferro. O Barclays também elevou o preço-alvo para os papéis da companhia, de R$ 66 para R$ 70, o que dá um potencial de alta de cerca de 14%. Na visão dos analistas, a empresa está bem posicionada para se beneficiar da tendência de recuperação dos preços do minério de ferro. Neste ano, as ações ordinárias da CSN tiveram alta de 123,54%, ante valorização de 70,30% do Ibovespa até o fechamento desta quarta-feira, dia 4 de novembro.
A alta de 20% esperada para os preços do minério em 2010 se baseia na retomada dos preços do insumo no mercado à vista na China, que hoje está por volta de US$ 90 por tonelada. A expectativa é de que a retomada da demanda na Europa desviará parte dos embarques para fora da China, pressionando para cima os preços no País. Neste cenário, o poder de barganha deve voltar às mãos das mineradoras, que perderam força durante a crise devido à forte queda da demanda.
No primeiro semestre deste ano, a CSN vendeu no mercado 9,4 milhões de toneladas de minério de ferro, sendo que 87% do total foi exportado. Outras 2,9 milhões de toneladas foram consumidas pela sua própria usina siderúrgica em Volta Redonda, segundo o balanço referente ao segundo trimestre. A meta da companhia, segundo entrevista concedida em agosto pelo diretor executivo de mineração da CSN, Juarez Saliba, é exportar 25 milhões de toneladas em 2009, sendo 14 milhões oriundas da Casa de Pedra e 11 milhões da Namisa. Em 2010, os embarques devem chegar a 35 milhões de toneladas. Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado